sábado, 18 de outubro de 2008

Mil e uma razões para visitar ...

A primeira semana de actividades preparada no âmbito do
mês internacional da Biblioteca Escolar, teve início
na passada segunda-feira, dia 13 de Outubro. Os alunos
aderiram com entusiasmo e alegria a um conjunto
diversificado de tarefas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mil e uma razões para visitar a Biblioteca Escolar

De 13 a 31 de Outubro terão lugar nas diferentes bibliotecas do Agrupamento José Sanches de Alcains, actividades preparadas no âmbito do mês internacional da Biblioteca Escolar. Visita a biblioteca da tua escola e participa nas actividades propostas. Alguns dos trabalhos serão divulgados no nosso blog.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Livros para os alunos do 1º ano

No âmbito do início do ano lectivo 2008-2009, a Biblioteca Escolar do 1º Ciclo de Alcains e os professores do 1º ano receberam os novos alunos e os seus pais / encarregados de educação com a oferta do livro "O patinho feio". Esta oferta foi patrocinadapelo PNL - Plano Nacional de Leitura.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Visitas guiadas à BECRE - Setembro de 2008



Ano lectivo 2008-2009
Bem-vindo ao blog da BECRE do Agrupamento de Escolas
José Sanches de Alcains


No âmbito do início do ano lectivo 2008-2009 e como forma de dar a conhecer aos alunos a biblioteca da Escola EB 2,3/S José Sanches, Alcains, edifício II , têm estado a ter lugar visitas guiadas aos alunos do 5º ano, ao longo das duas primeiras semanas de actividades lectivas. As actividades deram a conhecer a Biblioteca e os seus diferentes espaços, tendo sido preenchido um guião que ajudou a identificar os locais e ao mesmo tempo a descobrir a resposta a vários enigmas apresentados.

sábado, 26 de julho de 2008

LER DEVIA SER PROIBIDO




A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode tornar-se um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Transportam-nos para paraísos misteriosos, fazem-nos enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Fazem-nos acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos num mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar a sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projectos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar a sua história com outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.


GRAMMON, Guiomar de. in: PRADO, J. & CONDINI, P. (orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-3.

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